O Poder do Dólar em 2026

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  • 14, Jan, 2026

Após meses de fraqueza apontada pelo mercado, o dólar chama a atenção de especialistas e permanece como a moeda de reserva global em 2026.


 

O ano de 2025 surpreendeu os investidores internacionais por ter se tornado palco de debates sobre a força do dólar. Seu desempenho ao longo dos meses provocou dúvidas quanto à permanência da moeda como referência global, levando economistas a divergirem entre si e a incerteza a predominar no cenário cambial.

Apesar das manchetes abordarem sua fraqueza, a realidade é mais complexa. E com o início de um novo ano, é primordial entender o que realmente aconteceu com o dólar em 2025 e o que os especialistas esperam para os próximos meses.

 


2025 e a falsa fraqueza

Entre as razões por trás das dúvidas sobre o poder do dólar, destacou-se a queda da moeda em cerca de 10% no ano. Todavia, especialistas como Robin J Brooks argumentaram que o cálculo não é correto e que, na verdade, existem maneiras melhores de entender o desempenho da moeda.

A falsa visão sobre a queda ocorre pela falta de clareza quanto ao conceito de câmbio como preço relativo. Em um artigo, Brooks explica que as taxas de câmbio são afetadas por acontecimentos internos e externos. Ou seja, uma queda no dólar controlado pelo comércio internacional, poderia retratar boas notícias do exterior, ao invés de uma fraqueza em sua performance.

Outro problema se dá pela falta de consenso acerca do que define o valor do dólar. Existe o dólar ponderado pelo comércio em relação ao G10 e o dólar ponderado pelo comércio em relação aos mercados emergentes, o que oferece diferentes perspectivas da mesma moeda. A respeito deles, Brooks defende que a comparação com as moedas emergentes é um melhor indicador da força do dólar e que, inclusive, sinalizou uma estabilidade da moeda estadunidense ao longo do ano.

 

Fonte: Robin J Brooks, publicado em 13/12/2025.

(O gráfico acima mostra o dólar ponderado pelo comércio em relação ao G10 - linha preta, e em relação aos mercados emergentes - linha azul.)

 

A queda em 10% observada na relação dólar-G10, contrasta com uma queda de apenas 2% do dólar em relação aos mercados emergentes. Alguns acontecimentos que foram apontados como responsáveis pela distorção de leitura foram a alta do euro em março e a euforia pré-posse de Trump que inflou o dólar artificialmente.

 


A força no longo prazo

Apesar das oscilações recentes, o dólar continua estruturalmente forte quando analisado no longo prazo. Desde meados de 2014, a moeda americana se valorizou cerca de 23% frente às moedas do G10 e aproximadamente 50% contra as moedas de mercados emergentes. Isso mostra que, mesmo após correções pontuais, o dólar segue em um patamar historicamente elevado.

Fonte: Robin J Brooks, publicado em 14/12/2025.

 

Essa força se apoia em dois fatores principais. O primeiro é o longo período de inflação baixa na Europa e no Japão, que levou o BCE e o Banco do Japão a adotarem políticas monetárias extremamente expansionistas, enfraquecendo suas moedas e fortalecendo o dólar. Já o segundo é a revolução do shale nos EUA, que transformou o país em grande produtor de petróleo, beneficiando a economia americana enquanto prejudicava exportadores de commodities.

Tais movimentos tendem a reforçar a posição estrutural dos EUA, mesmo com debates sobre tarifas e relocalização de cadeias produtivas. Assim, especialistas justificam que as quedas recentes devem ser vistas mais como ajustes dentro de um ciclo amplo do que como o fim da era do dólar forte.

 


Sinais de alerta

Mesmo com a estabilidade no longo prazo e em 2025, a maré virou para o dólar em dezembro. Isso porque parte dessa estabilidade vem da forte desvalorização do iene japonês, que acabou mascarando a perda de valor do dólar frente a outras moedas importantes.

Quando o iene é retirado da conta, fica mais claro que várias moedas consideradas “seguras”, como o franco suíço e a coroa sueca, se fortaleceram frente ao dólar. Ao mesmo tempo, investidores globais passaram a buscar proteção em ativos reais, como ouro, prata e outros metais preciosos, indicando perda de confiança no poder de compra das moedas tradicionais.

Fonte: Robin J Brooks, publicado em 18/12/2025.

 

Esse movimento faz parte do chamado “debasement trade”, ou seja, a busca por refúgio diante do medo de que dívidas excessivas sejam resolvidas por meio de inflação ou monetização. Assim, embora os índices tradicionais mostrem um dólar aparentemente firme, por baixo da superfície há sinais claros de que a moeda americana vem perdendo força relativa.

Fonte: Robin J Brooks, publicado em 31/12/2025.

 

Ainda em dezembro, o dólar voltou a cair em relação aos mercados emergentes, após o terceiro corte de juros do Fed. Isso chama a atenção para um novo risco: a interferência política no Fed e como o mercado irá responder, por exemplo, exigindo prêmio de risco maior para o dólar.

 


O que esperar em 2026?

Para o ano que se inicia, Brooks defende o enfraquecimento do dólar em virtude da pressão política por juros mais baixos e da queda de juros reais. Ele também prevê uma deflação na zona do euro, mercados emergentes ganhando espaço com a erosão institucional em países ricos e a continuidade do debasement trade fortalecido.

Entretanto, para os investidores brasileiros, o cenário do dólar pode ser um pouco controverso. Observando o desempenho da moeda em anos de eleições presidenciais, é possível reconhecer um padrão onde o dólar atinge máximas históricas. Dessa maneira, a volatilidade cambial deve aumentar de acordo com o ritmo e resultado das eleições. 

Assim, surge a necessidade de o investidor entender que o dólar enfraquecido não é sinônimo de irrelevância. O desempenho da moeda de reserva global seguirá determinando temas como investimentos internacionais, custos de importação e exportação e proteção cambial, reforçando para brasileiros a importância de ter parte do seu patrimônio dolarizado em 2026.

 


Disclaimer

Este artigo foi produzido com base nas análises publicadas originalmente por Robin J Brooks. A Bankshop LLC não é autora do conteúdo e não se responsabiliza pelas opiniões, projeções ou informações expressas no artigo. Os créditos são inteiramente do analista e da fonte original. Você pode acessar as publicaçôes completas diretamente no site do autor, clicando aqui.

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Luiza Amaral
Luiza Amaral