10 Fatores Que Precificam O Bitcoin

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  • 09, Apr, 2026

Descubra quais são os fatores que afetam o desempenho da criptomoeda.


 

O bitcoin é a maior criptomoeda do mundo. Conforme apresentado pelo CoinMarketCap.com, possui uma capitalização de mercado de US$ 1,7 trilhão, representando cerca de 50% do mercado cripto em dezembro de 2025. Dada essa grande participação, os movimentos de preço do bitcoin tendem a impulsionar e modelar o restante das criptomoedas.

Para quem investe ou pensa em investir em Bitcoin, é importante entender de onde surge a sua precificação. Existem diferentes fatores responsáveis por isso, como questões macroeconômicas ou relacionadas diretamente à criptomoeda. Além disso, tais fatores podem desempenhar em curto ou longo prazo, a depender de suas características.

Em análise detalhada, Jim Ferraioli, Diretor de Pesquisa e Estratégia em Moedas Digitais na Charles Schwab Asset Management, descreve como cada fator efetivamente regula o preço do Bitcoin. Eles são:

  1. Oferta monetária;
  2. O ciclo de halving do bitcoin;
  3. Adoção;
  4. Sentimento de risco do mercado;
  5. Taxa de juros;
  6. Dólar americana e outras moedas;
  7. Sazonalidade;
  8. Liquidez excedente dos bancos centrais;
  9. Carteiras “whale”;
  10. Contágio financeiro.

A intenção deste artigo é resumir os fatores e apresentar as informações de forma simplificada. Alertamos os leitores quanto aos riscos de segurança das criptomoedas, como golpes, furtos e perdas. Também sinalizamos que este material não é recomendação de investimento e possui caráter informativo.
 


1. Oferta monetária

Historicamente, existe uma forte relação entre o crescimento da oferta monetária – medida do total de moeda em circulação em um país – e o crescimento do preço do bitcoin. 

Isso porque, com o envelhecimento da força de trabalho em muitas economias desenvolvidas e os elevados níveis de dívida soberana existentes, os governos costumam recorrer a estratégias como o aumento da oferta monetária e das reservas bancárias, tanto para impulsionar suas economias quanto para administrar suas obrigações financeiras.

Como resultado, a oferta monetária tende a continuar dando suporte aos preços do bitcoin, à medida que investidores ao redor do mundo buscam preservar o poder de compra de suas economias. 

É importante notar que, embora um fator possa ser visto como um potencial impulsionador de alta para o preço do bitcoin no longo prazo, existem muitos fatores diferentes que podem influenciar seu preço em ambas as direções. O fato de um fator parecer favorável não significa necessariamente que ele terá um impacto direto.

 

Fonte: Bloomberg, de 01/01/2015 a 31/12/2025.

 


2. O ciclo de halving do bitcoin

O ciclo de halving do bitcoin ocorre aproximadamente a cada quatro anos, e é um movimento que reduz pela metade a quantidade de novos bitcoins emitidos, limitando sua oferta ao longo do tempo.

Esse mecanismo reforça a característica de escassez do ativo, já que existe um limite máximo de 21 milhões de unidades, o que pode favorecer a valorização à medida que a disponibilidade diminui e o interesse dos investidores persiste. Isso faz com que a criptomoeda seja considerada como uma “moeda desinflacionária”, ou seja, uma moeda cujo poder de compra tende a aumentar ao longo do tempo, já que sua oferta é limitada

Até o momento, ocorreram quatro halvings: em 2012, 2016, 2020 e 2024. Ao longo dos ciclos anteriores, esse choque entre oferta e demanda esteve associado a períodos de alta no preço. Todavia, a entrada de novos participantes no mercado provocaram naturalmente a diminuição de demanda e, por consequência, desaceleração do crescimento do bitcoin.

Em resumo, o comportamento do bitcoin não é linear. Após momentos de valorização, são comuns correções significativas, e a dinâmica de preços segue dependente de múltiplos fatores além da própria redução de oferta.

 

Fonte: Bloomberg, 31/12/2025.

 


3. Adoção

Ao longo dos anos, a adoção do bitcoin evoluiu de um nicho tecnológico para um público mais amplo, impulsionada pela entrada de investidores institucionais, novos produtos financeiros e maior integração com o sistema financeiro tradicional.

Esse avanço pode ser observado pelo crescimento no número de endereços com saldo em bitcoin, que tem aumentado de forma consistente ao longo dos anos, refletindo o interesse crescente pelo ativo. Além disso, comparações com a disseminação de outras tecnologias, como a internet, sugerem que ainda há espaço para expansão, o que pode sustentar a demanda no longo prazo.

A adoção do bitcoin cresceu a uma taxa mediana de 17% desde 2017. Entretanto, uma desaceleração nesse ritmo de adoção pode afetar negativamente o preço, já que a continuidade do crescimento depende da entrada de novos participantes no mercado.

 

Fonte: Token Terminal, de 01/01/2017 a 31/12/2025.

 


4. Sentimento de risco do mercado

O bitcoin é considerado um ativo de risco e, por isso, seu comportamento está ligado ao apetite dos investidores por risco no mercado. Esse apetite pode ser observado por indicadores como os spreads de crédito, que tendem a se ampliar em momentos de maior cautela, refletindo a migração para ativos mais seguros.

Em determinados períodos, o bitcoin pode apresentar correlação com outros ativos de risco, como ações, especialmente em ambientes de maior aversão ou busca por risco.

Ainda assim, essa relação não é constante, variando ao longo do tempo, o que reforça a importância de acompanhar o contexto de mercado para entender seus possíveis impactos sobre o preço.

 


5. Taxas de juros

Tendo em vista que o bitcoin possui pouca correlação com as taxas de juros no longo prazo, no curto prazo elas são indicadores importantes para medir o desempenho da moeda.

Isso se dá por diferentes efeitos indiretos. Quando uma economia demonstra força, os bancos centrais frequentemente elevam os juros para evitar um superaquecimento ou para conter a inflação. As percepções dos investidores sobre a saúde fiscal de um país também podem influenciar as taxas de juros de longo prazo.

No fim, essas variações nas taxas de juros afetam o valor do dólar americano, o que, por sua vez, exerce forte influência sobre o preço do bitcoin no curto prazo.

 


6. Dólar americano e outras moedas

O bitcoin, por ser uma moeda digital global, tem apresentado relação com o comportamento de outras moedas, especialmente as de mercados emergentes, refletindo seu crescimento e adoção ao longo do tempo. Esse movimento decorre, assim como os dessas moedas, da ligação entre sua valorização e o aumento da demanda ao uso mais amplo por investidores e participantes do mercado.

Ademais, o bitcoin é frequentemente visto como uma forma de preservar poder de compra, especialmente em cenários de perda de valor do dólar, o que pode impulsionar seu preço.

Da mesma forma, períodos de fortalecimento do dólar tendem a pressionar ativos alternativos, incluindo o bitcoin, evidenciando uma relação que pode variar conforme o contexto macroeconômico.

 

Fonte: Bloomberg, de 01/01/2016 a 31/12/2025.

 


7. Sazonalidade

Diferentemente de outras moedas, o bitcoin apresenta padrões de sazonalidade ao longo do tempo. Nesses padrões, determinados meses historicamente registram desempenhos mais fracos, indicando que seu comportamento também pode variar conforme o período do ano.

Eles podem ser analisados tanto em ciclos anuais quanto em relação ao halving, que costuma influenciar diferentes fases de mercado e afetar a dinâmica dos retornos. Porém, ainda que esses históricos tragam referências úteis, a base de dados pode ser limitada em alguns recortes e pode refletir períodos de maior volatilidade no passado.

Por isso, a sazonalidade deve ser vista apenas como um dos elementos de análise e não como algo determinante para o investimento no ativo. O desempenho do bitcoin depende de diversos fatores e não segue padrões previsíveis de forma consistente.

 


8. Liquidez excedente dos bancos centrais

A liquidez excedente dos bancos centrais representa a quantidade de dinheiro circulando na economia, variando entre momentos de injeção e retirada de recursos por parte de governos e autoridades monetárias.

Esse fluxo é influenciado por fatores como políticas monetárias, movimentações do Tesouro e decisões dos bancos sobre alocação de reservas, impactando diretamente na disponibilidade de capital no sistema financeiro.

Quando a liquidez é maior, parte desses recursos tende a ser direcionada para ativos financeiros, como ações, títulos e criptomoedas, contribuindo para a valorização desses mercados. No contrário, períodos de redução de liquidez podem limitar esse movimento, pressionando os preços dos ativos, incluindo o bitcoin, à medida que há menos capital disponível para investimento.

 

Fonte: Bloomberg, de 01/01/2017 a 31/12/2025.

 


9. Carteiras “whale

As carteiras que possuem mais de 1.000 bitcoins são chamadas de carteiras “whale”. Elas concentram grandes quantidades de bitcoin, representam uma pequena parcela do total, mas detêm uma fatia significativa da oferta em circulação.

Esse nível de concentração faz com que suas movimentações tenham potencial de influenciar o mercado, especialmente em casos de venda de grandes volumes.

Como essas transações podem ser monitoradas publicamente, mudanças no comportamento dessas carteiras costumam ser acompanhadas de perto por investidores. Apesar disso, nem toda movimentação indica intenção de venda, e o impacto nos preços depende do contexto, embora continue sendo um fator relevante no curto prazo.

 


10. Contágio financeiro

Contágio financeiro é, normalmente, um cenário de aversão ao risco no mercado financeiro. Esse é o termo utilizado para descrever perturbações de mercado que se espalham de um país para outro. Entretanto, o bitcoin tende a se comportar de forma diferente desse padrão.

Por exemplo, durante a crise bancária de 2023, o bitcoin vinha de um mercado de baixa, mas passou a subir quando o mercado começou a precificar o risco dessas corridas bancárias.

Isso demonstra que, enquanto outras classes de ativos podem reagir negativamente a eventos dessa natureza, o bitcoin tem demonstrado força nesses períodos. 

 

Fonte: Bloomberg, 30/06/2023.

 


Como investir em criptomoedas?

Ao fim da análise, Ferraioli conclui que as criptomoedas ainda representam uma classe de ativos relativamente nova. Ao considerar investir em bitcoin, é importante entender não apenas os fatores que podem influenciar seu preço, mas também qual nível de exposição faz sentido para o seu perfil de investidor.

Reforçamos que existem diversas formas de investir no setor cripto e que cabe ao investidor avaliar qual abordagem está mais alinhada aos seus objetivos e à sua tolerância ao risco.

Em caso de dúvida quanto à composição de uma carteira internacional, convidamos para uma conversa e análise mais detalhada com a nossa equipe.

 


Disclaimer

Este artigo foi produzido com base na análise publicada originalmente por Jim Ferraioli no site Charles Schwab Asset Management.Bankshop LLC não é autora do conteúdo e não se responsabiliza pelas opiniões, projeções ou informações expressas no artigo. Os créditos são inteiramente do analista e da fonte original. Você pode acessar as reportagens completas diretamente no site, clicando aqui.

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Luiza Amaral
Luiza Amaral